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A denominação etno linguística Bantu, por Antonio José Do Espirito Santo

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Bantu (Ba-Ntu) é uma denominação etno linguística, é um termo semelhante a “Latinos”, “nórdicos” ou mesmo “anglo-saxões”.

“Ba” é um prefixo coletivo e “ntu” quer dizer, simplesmente ” gente”, “ser humano” ou seja, Bantu é um termo genérico para definir os grupo humanos que habitam do centro do continente africano para baixo, povos que têm, supostamente uma origem milenar comum, principalmente traços linguísticos, fruto de uma ou mais migrações do norte para o sul do continente por volta do século 10/12 (caso dos Ba-kongo, do Zaire e de Angola)

O termo, é arcaico, usado que foi de forma displicente por estudiosos do final do século 19, como Nina Rodrigues, por exemplo. Servia para distinguir os povos desta área bantu dos “sudaneses”, povos da África “de cima”, do norte, equivocadamente reconhecidos por estes estudiosos cultores do “racismo científico” como intelectual e culturalmente superiores aos da África “de baixo”.

Na verdade, por razões principalmente logísticas, mas também históricas, vieram para o Brasil em esmagadora maioria, africanos do antigo Reino do Kongo, área compreendida pela atual República de Angola, além de, em menor número gente de Moçambique, partes da Nigéria (área dos yoruba-nagô) e de partes do antigo Reino do Dahomey (atual República do Benin).

No Brasil, este pensamento arcaico, rasteiro sobre a suposta superioridade dos povos da África do Norte (no nosso caso, os nagô nigerianos), sem fundamento historiológico algum e de conotações claramente racistas, é largamente aplicado ainda, principalmente por conta de uma ideologia torta praticada pelos próprios negros que, ainda ignorantes da história real dos africanos que para aqui vieram e das características etno-logísticas do mercado de trabalho escravo, compartilham ingenuamente este equívoco auto depreciativo.

Para cá vieram, portanto, do ponto de vista étnico, como disse em maioria esmagadora, principalmente, gente das etnias Kimbundo, centro de Angola, via Portos de Ambriz e Luanda (primeiros tempos do tráfico) além de Ovimbundo (povos do planalto central da mesma Angola, do centro para o sul) principalmente nos últimos tempos do tráfico, via Porto do Benguela.

De certo modo, são mitos acadêmicos crassos tanto a história da queima dos arquivos da escravidão (só foram queimados parte dos arquivos de posse do Ministério da Justiça, chefiado por Rui Barbosa) quanto a suposta diluição no Brasil de várias etnias de escravos, diluindo culturas, com a falaciosa sobrevivência de uma única cultura africana “pura”: A dos nagô e seu candomblé. Tudo farsa.

Os dois mitos têm intenções deliberadas, atendendo inicialmente aos interesses de acadêmicos racistas como Nina Rodrigues e de uma elite negra de ascendência nagô, muito proeminente em Salvador, Bahia no fim do século 19 (instigada pela ação de inteilectuais como Edson Carneiro em 1937) comportamento que, infelizmente se disseminou e contamina a ideologia do movimento negro brasileiro até hoje.

No mais, galera, vamos estudar com independência e senso crítico que tudo isto se esclarece.

Texto de Antonio José Do Espirito Santo, originalmente publicado no Facebook.

Ilabantu
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